Em entrevista à Famitsu, o criador de Mario explica por que o Switch continua vendendo mais que rivais tecnicamente superiores.

Shigeru Miyamoto voltou a defender uma ideia que guia a Nintendo desde os tempos do Wii e do DS: a de que a indústria dos games já não compete só na base da potência bruta de hardware. Em entrevista à revista japonesa Famitsu, o criador de Mario disse acreditar que os jogadores de hoje não escolhem mais um console olhando apenas para as especificações técnicas.
“Acho que os clientes não estão mais procurando só specs”, disse Miyamoto, ao comentar os quase nove anos de vida útil do Nintendo Switch, um console que sempre ficou atrás de PlayStation e Xbox em poder de processamento, mas que já ultrapassou 150 milhões de unidades vendidas no mundo todo.
Para ele, o ideal é simples: se você compra o jogo, consegue jogar no aparelho que já tem em casa. Em vez de correr atrás de rivais tecnicamente mais avançados, a Nintendo segue apostando em experiências de jogo que só existem no próprio hardware, o que ajudou o Switch a se destacar mesmo com especificações mais modestas que a concorrência.

Miyamoto também comentou as vantagens de a Nintendo desenvolver para um único ecossistema de hardware. Ao contrário dos celulares, que exigem suporte a uma quantidade enorme de aparelhos e configurações diferentes, o modelo da Nintendo permite que todos os estúdios internos trabalhem em cima da mesma base, o que torna o processo mais eficiente.
Ele ainda brincou dizendo que a empresa “ainda quer ganhar a vida com o mínimo de esforço possível”, numa piada que ele mesmo classificou como meia piada, antes de explicar que reduzir trabalho de desenvolvimento desnecessário no fim ajuda a criar um ambiente de produção melhor para todo mundo envolvido.
A fala chega num momento em que a expectativa em cima do próximo console da Nintendo só cresce, e reforça o que a empresa já vem sinalizando há meses: não é uma corrida de teraflops. É a biblioteca de jogos, e o que só dá para jogar ali, que continua movendo as vendas.





