Negociação bilionária, contrato até 2027 e rumores de bastidores colocam o futuro de James Gunn na DC Studios em evidência.

A compra da Warner Bros. pela Netflix e o que está em jogo
A bomba caiu ontem: a Netflix está avançando em um acordo para comprar a Warner Bros. — incluindo Warner Bros. Pictures, HBO, HBO Max, DC Comics, DC Studios e outros ativos do grupo.
Tecnicamente, ainda é uma aquisição em tentativa, já que o negócio precisa passar pelo crivo dos órgãos reguladores, algo nada simples, especialmente em um cenário em que o presidente Donald Trump apoia a Paramount em disputas dentro do mesmo tabuleiro.
Independentemente do desfecho, a Warner Bros. Discovery sai ganhando de algum jeito: se o negócio não for aprovado, a Netflix ainda assim terá que pagar mais de US$ 5 bilhões em multa. Ou seja, dinheiro entra de qualquer forma.
Enquanto isso, o fandom já foi direto ao ponto:
“O que vai acontecer com James Gunn e com a DC Studios nessa brincadeira toda?”
Contratos, prazos e o rumor sobre a permanência de James Gunn
Hoje, o que se sabe oficialmente é que James Gunn e Peter Safran têm contrato com a DC Studios até 2027. E, segundo a própria cobertura do caso, é improvável que a aquisição seja totalmente concluída antes disso – o que, em teoria, daria uma certa “janela de segurança” para a dupla.
Mas contrato não significa blindagem absoluta.
O comentarista John Campea afirmou ter ouvido que a Netflix pretende manter James Gunn, Michael De Luca e Pamela Abdy em suas funções atuais na DC Studios e na Warner Bros. Pictures. Segundo ele, a permanência de Safran também é esperada, mas ainda não foi confirmada pelas fontes dele.
Mesmo assim, qualquer narrativa de “tá tudo garantido” é precipitada.
Até que o acordo seja assinado, aprovado e fechado, ninguém sabe exatamente qual será o desenho final do organograma. E é bem possível que a própria Netflix ainda esteja ajustando essa estratégia nos bastidores.
O ponto é:
- Se o DCU sob comando de Gunn continuar entregando bons resultados criativos e financeiros, não há motivo óbvio para a Netflix chegar “passando a foice”.
- Por outro lado, mudanças de dono quase sempre trazem mais camadas de aprovação e menos autonomia total.
O quanto a Netflix pode mexer na DC Studios?
Hoje, James Gunn e Peter Safran trabalham em um modelo em que David Zaslav, atual CEO da Warner Bros. Discovery, parece disposto a deixá-los escolher diretores, projetos e o rumo do DCU com certa liberdade — desde que os números façam sentido.
Com a Netflix no comando, o jogo pode mudar de forma mais sutil:
se um diretor querido pela Netflix disser que quer contar uma história no DCU, é bem provável que a DC Studios tenha que abrir espaço na fila. A prioridade pode deixar de ser “a visão do selo DC” e passar a ser “o que faz mais sentido dentro do ecossistema Netflix”.
Isso não significa necessariamente menos filmes ou menos ambição, mas pode significar:
- Mais decisões alinhadas a dados de audiência e algoritmo,
- Mais pressão por projetos que conversem com o catálogo e o perfil de consumo da plataforma,
- E possivelmente menos espaço para arriscar projetos muito autorais que não pareçam “vendíveis” globalmente.
A visão de Ted Sarandos e o futuro dos filmes do DCU nos cinemas
Um ponto importante para o futuro da DC Studios sob a Netflix é a visão que o co-CEO Ted Sarandos tem sobre cinema e janelas de exibição.
Em uma entrevista resgatada de abril, Sarandos fez uma crítica direta ao modelo tradicional de janela de 45 dias nos cinemas, comentando sobre a queda de desempenho nas bilheterias:
Ele argumenta que o público está mandando um recado claro:
as pessoas querem assistir filmes em casa.
Sarandos também disse que o modelo atual está “fora de sintonia” com a experiência real do consumidor e destacou que ir ao cinema é um privilégio de quem mora perto de grandes centros, algo que não reflete a realidade de boa parte do público.
Na prática, isso pode significar que, mesmo que a Netflix mantenha os lançamentos nos cinemas, a tendência é que o foco principal seja o streaming — com janelas menores, estreias mais rápidas na plataforma e talvez estratégias híbridas mais agressivas.
Para o DCU, o recado é claro:
- Se os filmes de Gunn performarem bem financeiramente e engajarem no streaming, ele ganha força.
- Se os números forem mornos, a nova dona não vai hesitar em ajustar a rota — seja ampliando supervisão, seja redesenhando o comando criativo.
Por enquanto, a única certeza é que o futuro da DC Studios continua diretamente ligado ao desempenho do universo que James Gunn está construindo. A aquisição bilionária só aumenta a escala desse jogo — e a pressão em cima dele.


