
O Homem-Aranha tem uma história longa nos videogames, e na maioria das vezes boa. Desde 1982, quando apareceu pela primeira vez no Atari 2600, ele nunca ficou muito tempo longe das telas. Faz sentido. A ideia de balançar entre prédios, sentir o peso da teia puxando o corpo pra frente e ir acelerando pela cidade é uma das coisas que poucos jogos conseguem fazer tão bem. Quando um jogo do Aranha acerta essa sensação de verdade, é difícil de largar.
Alguns títulos acertaram muito. Outros, nem tanto. Os melhores têm sempre algo que te faz esquecer que está controlando um personagem. O ranking tá aqui.
9. Spider-Man: Edge of Time (2011)

Edge of Time saiu em 2011 e levou uma recepção ruim da crítica. O problema é que ele veio logo depois de Shattered Dimensions, que tinha sido um sucesso, e a comparação foi inevitável. Não tem como ganhar essa. Se você conseguir tirar esse contexto da cabeça e jogar sem essa pressão, o que sobra é um jogo bem mais divertido do que a maioria lembra.
A história coloca o Homem-Aranha do presente junto com o Aranha 2099 numa trama de viagem no tempo. Peter Parker morre logo na abertura, assim, sem cerimônia, e isso cria uma tensão que sustenta o ritmo bem. A dinâmica entre os dois funciona, e a mecânica de causa-e-efeito entre passado e futuro tem momentos criativos de verdade. Não é o mais forte da lista, mas merecia mais carinho do que recebeu.
8. Ultimate Spider-Man (2005)

Nos anos 2000, a Marvel reinventou o universo inteiro com o selo Ultimate. Uma versão mais jovem, mais moderna, mais acessível dos heróis clássicos. O destaque maior foi a HQ Ultimate Spider-Man, que redefiniu o personagem pra uma geração. O jogo de 2005 capturou tudo isso com uma fidelidade que ainda impressiona. As cutscenes parecem painéis animados de HQ, literalmente. É um dos jogos de super-herói com mais personalidade visual já feitos.
Você joga com o Homem-Aranha e com o Venom, e os dois se sentem completamente diferentes. O Venom especialmente. Pesado, destrutivo, satisfatório de um jeito que o Aranha leve não consegue ser. Vale jogar só pelas fases dele.
7. Spider-Man: Shattered Dimensions (2010)

Antes de Aranhaverso virar fenômeno cultural no cinema, Shattered Dimensions já estava brincando com essa ideia. Quatro versões do Homem-Aranha numa mesma aventura: o clássico, o Ultimate, o Noir e o 2099. Cada um com visual próprio, jogabilidade diferente, fase pensada pra encaixar no seu universo.
O clássico tem combate limpo e veloz. O 2099 vai rápido pra caramba, uma loucura de velocidade. O Noir é quase um jogo de stealth, sombrio, com clima policial de verdade, e provavelmente a parte mais surpreendente do pacote. O Ultimate vai na pancadaria pesada com o traje Simbionte. Tem um detalhe histórico interessante também: é a primeira vez que uma Doutora Octopus aparece fora dos quadrinhos, antes de ficar famosa em Homem-Aranha: No Aranhaverso.
6. Marvel’s Spider-Man 2 (2023)

A sequência do Marvel’s Spider-Man de 2018 chegou carregando expectativa enorme. O primeiro tinha redefinido o padrão. Como superar isso?
Em história, honestamente, não superou. Partes do roteiro parecem cortadas, dá pra sentir que o que foi ao ar era uma versão menor do que a Insomniac tinha em mente. Mas em gameplay é o melhor jogo do Aranha tecnicamente. O movimento pela cidade é ainda mais fluido, os poderes do traje Simbionte do Peter são impressionantes, e ter dois Aranhas jogáveis dá uma liberdade que o primeiro não tinha. Tem até asa delta pra atravessar Nova York. É absurdamente bom de jogar. Só que o potencial que tinha era maior do que o resultado final.
5. Spider-Man: Miles Morales (2020)

Ninguém esperava um jogo dedicado só ao Miles. Quando ele apareceu no final do Marvel’s Spider-Man levando uma picada de aranha, a leitura geral era que ele voltaria numa sequência, anos depois. A Sony fez diferente: lançou um jogo inteiramente sobre ele no lançamento do PS5. Foi uma das surpresas mais gostosas da geração.
É um jogo menor que o primeiro, e isso não é defeito, é escolha. A história é mais focada, mais pessoal, emocionalmente mais forte do que parece na descrição. Miles assume o papel de único Homem-Aranha de Nova York enquanto Peter está fora, um rosto do passado reaparece, uma nova ameaça surge junto. O combate com bioeletricidade é um dos mais divertidos em qualquer jogo do personagem. Tem gente que prefere jogar com o Miles ao invés do Peter, e com bons argumentos.
4. Spider-Man (2000)

A nostalgia aqui é real. O jogo de 2000, lançado para PlayStation, Nintendo 64, Dreamcast e PC, foi um marco. Não porque a tecnologia era avançada, mas porque tinha alma. Tinha respeito pelo personagem. A história original colocava o Aranha num plot rápido, bem escrito, cheio de vilões icônicos sem precisar entulhar a tela de personagens sem propósito.
O clímax todo mundo que jogou lembra: o Doutor Octopus se funde com o simbionte do Carnificina e vira Monster-Ock. Não é adaptação de nada, foi criação original do jogo, e funciona muito bem. Esse tipo de liberdade criativa que resulta em algo realmente marcante. Quem cresceu com esse jogo no final dos anos 90 e início dos 2000 não consegue falar dele sem um sorriso no rosto.
3. Spider-Man 2 (2004)

Adaptar filme em jogo costuma dar errado. Spider-Man 2, baseado no filme de Sam Raimi, fez diferente. Usou a história do longa como ponto de partida e expandiu tudo ao redor. Mysterio, Duende de Choque, Rinoceronte e Gata Negra aparecem em missões paralelas que ampliam o mundo sem forçar a barra.
Mas o que coloca esse jogo nessa posição é a mecânica de balanço de teia. Mais de 20 anos depois ainda tem gente que defende que nenhum jogo do Aranha superou o balanço desse. É físico, tem peso, você precisa pensar no movimento antes de executar. Não é só apertar um botão e ver o personagem planar pela cidade. Você sente a aceleração, o impulso, a queda antes do próximo balanço. É a mecânica que fica na cabeça por décadas.
2. Spider-Man: Web of Shadows (2008)

Se Spider-Man 2 é o rei do balanço de teia, Web of Shadows é o rei do combate.
O jogo de 2008 tem um sistema de luta que equilibra velocidade, estilo e profundidade de um jeito que pouquíssimos títulos do personagem conseguiram. Você alterna entre o traje clássico e o Simbionte, e cada um muda completamente como você joga. As sequências de ação são espetaculares. Tem uma cena do Aranha Simbionte contra o Wolverine e uma luta contra o Abutre no topo de um arranha-céu que ficam na cabeça por anos, sem exagero.
O jogo também tem múltiplos finais dependendo das escolhas morais que você faz ao longo da campanha. Isso dá peso às decisões e motivo pra jogar de novo. Tem defeitos. Mas quando acerta, acerta forte.
1. Marvel’s Spider-Man (2018)

Quando Marvel’s Spider-Man saiu em setembro de 2018, deu pra sentir que alguma coisa tinha mudado. A Insomniac não estava só fazendo um bom jogo do Aranha. Estava mostrando o que um jogo de super-herói podia ser.
A história é madura sem ser pesada. Peter Parker aqui não é adolescente descobrindo poderes. É um adulto lidando com as consequências de anos sendo o Aranha, com relacionamentos, com escolhas que custaram caro. As performances do elenco são excelentes. O roteiro tem traições, perdas e momentos de verdade que colocam esse jogo no mesmo nível de qualquer boa história em quadrinhos.
O gameplay faz o resto. O balanço pela cidade é fluido, responsivo e prazeroso de um jeito que pouquíssimos jogos conseguem. Cada missão, cada tarefa paralela, cada colecionável foi construído pra fazer sentido dentro do mundo. Nada parece inserido à força. É o melhor jogo do Homem-Aranha já feito.
Algum jogo favorito seu ficou de fora? Conta nos comentários qual seria o seu top 1.





