Ryan Reynolds se infiltra disfarçado de Deadpool na Comic-Con e só é reconhecido depois

Painel da Marvel Studios na Comic-Con 2026
O painel da Marvel Studios na Hall H, onde Ryan Reynolds pregou a peça vestido de Deadpool

Teve um momento na Comic-Con de San Diego que só faz sentido dentro do universo do Deadpool: alguém vestido com o traje cinza do personagem apareceu no meio da plateia da Hall H, se levantou durante o painel de Vingadores: Doomsday e começou a fazer perguntas como se fosse só mais um fã fantasiado. Demorou um pouco para o público entender que aquele “fã” era Ryan Reynolds em pessoa.

O ator se apresentou como “Ricky”, nome único, “tipo Cher ou Madonna”, e avisou que não colocaria a máscara do Doutor Destino por cima da própria máscara porque não queria estragar o efeito do que chamou de “smoking canadense”. Também deixou claro, ainda em personagem, que estava “só cosplayando pesado”. A sacada era simples e funcionou: por alguns segundos, ninguém tinha certeza se era realmente Reynolds ali ou apenas um cosplayer com uma voz parecida.

As perguntas confirmaram tudo. Ele se virou para Paul Rudd e perguntou onde estava o Thor e por que ele estava chorando. Rudd devolveu na mesma moeda: “ele é torcedor do Wrexham”, uma alfinetada no time de futebol inglês que o próprio Reynolds é dono. Na sequência, questionou Robert Downey Jr. se aquele não seria um jeito caro demais de anunciar um filme, perguntando sobre novas filmagens e custos extras. Downey Jr. rebateu sem hesitar: “já está pronto, cara, olha ao redor, você bateu a cabeça?”. Reynolds encerrou ali, dizendo que não tinha mais perguntas.

O traje usado é a versão cinza e preta do Deadpool, inspirada diretamente nos quadrinhos do X-Force, e essa foi a primeira vez que ela apareceu em público fora das páginas. A brincadeira também deixou mais claro como Deadpool vai entrar em Vingadores: Doomsday, como uma espécie de curinga do multiverso solto no meio da história principal, sem seguir as regras de um Vingador tradicional.

O verdadeiro motivo da roupa cinza: uma pista escondida sobre Homem-Aranha

No dia seguinte à Comic-Con, Reynolds voltou a falar sobre a fantasia, e foi aí que a peada ficou mais interessante. Nos stories do Instagram, ele publicou o cartão de referência de cor do tecido usado no traje, mostrando o código “9-1963” com o nome oficial da tonalidade: “Jean Grey”. Na legenda, escreveu “Once you see it, you can’t unsee it” (algo como “depois que você vê, não tem como não ver”), usando a hashtag “Jeanpool”.

O número 1963 não é aleatório: é o ano de publicação de X-Men #1, o primeiro gibi da equipe, lançado em setembro daquele ano pela dupla Stan Lee e Jack Kirby. E o nome “Jean Grey” bate direto com a maior teoria sobre Homem-Aranha: Um Novo Dia, que estreia no Brasil em 31 de julho: a de que a personagem misteriosa vivida por Sadie Sink no filme é justamente a Jean Grey, mutante que nunca teve seu rosto revelado nos trailers e que parece estar por trás dos poderes de saltos mentais mostrados no segundo teaser.

Vale o contraponto: Tom Holland já negou publicamente, em entrevista, que a personagem de Sink seja a Jean Grey. Mas ninguém trata essa negativa como palavra final, até porque esconder spoiler de filme da Marvel virou praticamente um segundo emprego para o elenco. Reynolds não confirmou nada com todas as letras, mas também não escondeu a intenção: uma piada dessas, jogada logo depois do estardalhaço da Comic-Con, não é acidente.

Não é a primeira vez que Reynolds usa esse tipo de estratégia. A campanha inteira de divulgação dos filmes do Deadpool é construída em cima desse mesmo instinto: quebrar a expectativa do público fingindo ser outra pessoa até o momento exato da virada. E é justamente esse tipo de golpe que faz parte da graça de acompanhar de perto um evento como a Comic-Con. Alguns atores realmente gostam de aparecer escondidos no meio da plateia, se misturando aos fãs antes de se revelarem, e descobrir isso depois, seja pelo vídeo ou pelos relatos de quem estava lá, é uma das partes mais divertidas de ser fã. Ninguém avisa, ninguém confirma antes, e o público só junta as peças quando a voz ou a piada dá a resposta.

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