
Um estágio superior de um foguete Falcon 9 da SpaceX caiu na Lua na madrugada de quarta-feira, 5 de agosto, perto da cratera Einstein, no lado mais distante do satélite. O impacto aconteceu por volta das 3h34 no horário de Brasília, quase no mesmo minuto previsto pelos cálculos de rastreamento.
O foguete tinha lançado dois módulos lunares comerciais, o Blue Ghost da Firefly Aerospace e o Resilience da ispace, em janeiro de 2025. Depois de entregar a carga, o estágio ficou à deriva em órbita da Terra por mais de um ano e meio. A gravidade e a atividade solar foram empurrando a peça de quatro toneladas cada vez mais para perto da Lua, até a colisão se tornar inevitável.
A velocidade do impacto passou de 8.700 km/h, o suficiente para abrir uma cratera de cerca de 27 metros de largura e 4 metros de profundidade, segundo estimativas da Nasa. A sonda sul-coreana Danuri, do instituto KARI, fez oito passagens sobre o local e registrou imagens de antes e depois da colisão, incluindo uma comparação com uma foto de 2015 tirada pela Lunar Reconnaissance Orbiter da própria Nasa, que estava do lado oposto da Lua no momento do choque e não flagrou o instante exato.
Não é a primeira vez que um pedaço de foguete esbarra na Lua. O terceiro estágio de um Longa Marcha 3C chinês fez o mesmo em 2022, e até estágios do Saturno V, usado nas missões Apollo, deixaram crateras por lá décadas atrás. A diferença é que hoje existe instrumentação suficiente para acompanhar esse tipo de colisão quase em tempo real, o que ajuda cientistas a estudar como o solo lunar reage a esses choques, informação útil para futuras missões tripuladas, como as do programa Artemis.
O episódio também reacende a discussão sobre lixo espacial. Estima-se que mais de 209 toneladas de detritos feitos pelo homem já estejam espalhadas pela superfície da Lua, entre estágios de foguete, sondas desativadas e equipamentos abandonados ao longo de décadas de exploração.





